COEQTO participa de formação internacional com mulheres de 37 países no Quênia

Encontro reúne cerca de 160 lideranças para intercâmbio de experiências, saberes e estratégias de resistência entre diferentes territórios

A Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO) participou, por meio da coordenadora executiva Cida Sousa, de uma formação internacional realizada no Quênia, África, entre os dias 10 e 18 de setembro, que reuniu cerca de 160 lideranças de 37 países, no Parque Nacional de Nairóbi. Representando o Coletivo de Mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), ao lado de Selma Dealdina Mbaye, Cida participou de um espaço de formação, intercâmbio cultural e construção coletiva entre mulheres de diferentes territórios.

Realizada pela AFRO IFOS – Escola Internacional de Organizações Feministas “Berta Cáceres” – Resistimos para viver, marchamos para transformar, que acontece a cada dois anos, a formação reúne organizações e movimentos internacionais, entre eles a Marcha Mundial de Mulheres, a Via Campesina, a Amigos da Terra e a Conferência Africana. A programação abordou temas como enfrentamento ao feminicídio, à misoginia, ao racismo e ao patriarcado, além de solidariedade, sororidade, bem viver e autocuidado.

Cida Sousa, coordenadora executiva da COEQTO e coordenadora do Coletivo de Mulheres da CONAQ. Foto: acervo CONAQ

Para Cida Sousa, quilombola do Povoado Prata, no Jalapão, a experiência representa uma oportunidade de fortalecer a organização e a atuação das mulheres quilombolas no Tocantins.

“Primeiro é um lugar que eu me sinto em casa, no sentido assim, o solo parece muito com nosso solo do Jalapão, com o Cerrado brasileiro. Estar aqui nesse espaço hoje enquanto uma quilombola que vem do Jalapão tem sido muito significativo. Participar dessa escola de formação de mulheres feministas tem sido muito importante para nós, porque no Tocantins a gente precisa cada vez mais potencializar o debate das mulheres quilombolas. E aí eu saio daqui com vários processos de pensar como atuar com as mulheres quilombolas. Estou muito feliz com essa experiência. Nós conseguimos ter dias ricos e trocas muito importantes.”

Experiências quilombolas atravessam fronteiras

Durante a formação, o Coletivo de Mulheres da CONAQ apresentou experiências e entregou materiais produzidos pelas mulheres quilombolas no Brasil, entre eles o Cafuné – Plano Emergencial de Proteção e Autocuidado para Mulheres Quilombolas Defensoras de Direitos Humanos, a publicação Vozes Quilombolas: Mulheres em Defesa do Clima e o livro Vidas Interrompidas, lançado em 2026 e dedicado ao registro de casos de violência contra pessoas quilombolas. 

No encontro, Cida e Selma entregam materiais produzidos pelas mulheres quilombolas no Brasil. Foto: acervo CONAQ

A participação possibilitou compartilhar experiências construídas nos territórios quilombolas brasileiros e dialogar com mulheres de outros países sobre proteção, autocuidado, justiça climática, defesa dos territórios e enfrentamento às violências.

Além da troca de conhecimentos, a formação também contribuiu para aproximar organizações e movimentos de diferentes países, fortalecendo redes de solidariedade e articulação entre mulheres.

Ao retornar ao Tocantins, Cida leva os aprendizados e experiências compartilhados durante a formação para fortalecer o debate e as ações junto às mulheres quilombolas do estado, especialmente nos territórios do Jalapão.

A participação na formação internacional amplia a circulação das experiências das mulheres quilombolas e reforça a construção de redes em defesa dos direitos, da autonomia, do bem viver e da permanência nos territórios.

Entrega do livro Mulheres Quilombolas. Foto: acervo CONAQ

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