Este caderno é fruto de um esforço coletivo realizado pelas próprias comunidades
quilombolas do sudeste do estado do Tocantins, pela COEQTO – Coordenação Estadual das
Comunidades Quilombolas do Tocantins e pela Alternativas para Pequena Agricultura no
Tocantins – APA-TO. Situadas em meio ao bioma Cerrado, as comunidades quilombolas de
Baião, Lajinha, Lajeado, São Joaquim e Poço D’Antas resistem há gerações preservando seus
territórios, seus modos de vida e suas práticas tradicionais. Viver em comunidade quilombola
no Cerrado é enfrentar os desafios da terra seca, do avanço do agronegócio e do descaso
histórico do Estado e ainda assim, manter viva a cultura, a coletividade, a solidariedade e os
saberes ancestrais.
Este caderno nasce do desejo de valorizar e visibilizar os conhecimentos tradicionais
quilombolas, especialmente aqueles relacionados à sociobiodiversidade, ao uso sustentável dos
bens naturais e à resistência cotidiana no território. Cada relato aqui presente é expressão
viva da sabedoria ancestral que persiste nas roças, nas cozinhas, nos quintais, nas matas e nas
memórias das famílias quilombolas.
A construção do material se deu por meio de entrevistas presenciais, rodas de conversa e
escutas sensíveis nas comunidades. O conteúdo foi sistematizado respeitando a oralidade e os
sentidos culturais atribuídos às plantas, aos bichos, às águas e ao território. Cada fala é uma
semente de sabedoria, um testemunho da luta e da presença negra no Cerrado tocantinense.
Mais do que um registro, este caderno é uma ferramenta política, educativa e cultural. Ele
serve para fortalecer as lutas por reconhecimento, políticas públicas, justiça ambiental e
territorial. Também é uma forma de inspirar as novas gerações a se reconectarem com suas
raízes e a honrarem os saberes dos mais velhos.
Agradecemos profundamente a cada pessoa que abriu sua casa, sua roça, seu tempo e sua
voz para que este material se tornasse realidade.
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