Delegação destaca a importância da participação e denuncia exclusões históricas
Por Geíne Medrado
A Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO) e delegados quilombolas de diversas regiões do Tocantins participaram da 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR), realizada em Brasília, entre os dias 15 e 19 de setembro, pelo Ministério da Igualdade Racial e pelo Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR).
Após sete anos, a conferência voltou a reunir mais de 1.700 delegados e delegadas de todo o país, celebrando 20 anos desde a sua primeira edição. O evento foi aberto com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra Anielle Franco e de lideranças sociais de diversas comunidades.
A delegação quilombola do Tocantins reafirmou a importância da presença nos espaços de decisão, mas também denunciou desafios que ainda limitam o acesso e a efetivação de políticas públicas. Representaram o estado: Gederson Moreira (Comunidade Malhadinha), Rita Lopes (Quilombo Rio Preto), Ana Célia e Érica Lopes (Quilombo Barra da Aroeira), Rosalvo Junior Serafim dos Reis (Comunidade Kalunga do Mimoso) e Maria Aparecida Ribeiro de Sousa, conselheira do CNPIR e coordenadora da COEQTO.
“Minha participação aqui está sendo muito gratificante, porém a gente se sente injustiçado em relação à quantidade de quilombolas presentes para apoiar nossas pautas. Muitas vezes não temos maioria para aprovar propostas específicas para nossas comunidades. É fundamental ocupar esses espaços, firmar e defender nossas pautas”, afirmou Ana Célia, do Quilombo Barra da Aroeira.
Para Rita Lopes, do Quilombo Rio Preto, a presença quilombola na conferência carrega um peso de resistência. “Estar nesse espaço é muito importante porque, infelizmente, nós somos poucos aqui. E sermos poucos mostra quão difícil é o acesso à igualdade de políticas públicas para nós. Quem está aqui tem a responsabilidade de falar pelos que ficaram no território”, pontuou.
Rosalvo Junior Serafim dos Reis, da comunidade Kalunga do Mimoso, participou do GT3, dedicado ao eixo da Democracia, e destacou que temas como território, meio ambiente, saúde e educação quilombola estiveram no centro das discussões. “Lá pudemos discutir e votar propostas importantes, apresentando pautas que valorizam nossa cultura e nosso povo, como o fortalecimento dos territórios quilombolas. Aprovamos trechos relevantes, como a inclusão social do quilombo, garantindo que seja o próprio povo quilombola a conduzir essas causas sociais e públicas”, afirmou.

A conselheira do CNPIR e coordenadora da COEQTO, Maria Aparecida Ribeiro de Sousa, avaliou que a retomada da conferência foi significativa para o movimento quilombola. “Tivemos a participação de mais de 200 quilombolas entre delegados e convidados de todos os estados, debatendo eixos fundamentais como a questão territorial. O ponto mais estratégico foi termos representações de todos os estados com quilombos, ocupando o espaço do início ao fim dos debates”, destacou.
A 5ª CONAPIR debateu temas estruturantes divididos em três eixos: Democracia, Justiça Racial e Reparação, construídos a partir das etapas municipais, estaduais e de plenárias temáticas realizadas em todo o Brasil. No encerramento, foram apresentadas as metas e indicadores do ODS 18, lançado o caderno Ancestralizando o futuro, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), e anunciado investimento em pesquisas sobre igualdade racial em parceria com o CNPq. O CNPIR também deu encaminhamento a mais de 50 moções apresentadas ao longo da semana, entre elas de apoio, repúdio, aplausos e recomendações.




