Comunidade Quilombola Baião leva saberes do território ao IFTO Dianópolis

Curso integra a Escola Nacional Nego Bispo e fortalece a educação antirracista no Tocantins.

Por Geíne Medrado/Comunicação COEQTO

Fortalecendo a transmissão de saberes, a cultura quilombola, e a educação antirracista, a comunidade quilombola Baião (Almas-TO) ministrará curso no Instituto Federal do Tocantins (IFTO) campus Dianópolis. A iniciativa foi selecionada por edital do Programa Escola Nacional Nego Bispo de Saberes Tradicionais e obteve nota máxima entre mais de 200 propostas inscritas em todo o país.

A aula inaugural aconteceu no último sábado, 7 de fevereiro, no auditório do IFTO Dianópolis, reunindo lideranças quilombolas, estudantes, representantes das instituições parceiras, equipe organizadora, educadores e membros da comunidade.

Intitulado “FIC – Saberes de Quilombo: Terra, Corpo, Memória e Resistência da Comunidade Baião – Almas/TO”, o curso tem como objetivo valorizar os saberes tradicionais quilombolas, fortalecendo a identidade, a memória coletiva e as práticas culturais da Comunidade Baião. A formação também busca contribuir para o desenvolvimento social e profissional dos participantes.

Apresentação cultural da comunidade Baião durante a aula inaugural do curso no IFTO. Foto: Divulgação

O curso será ministrado por lideranças do território Baião: Laelson Ribeiro de Souza, engenheiro agrônomo e coordenador da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO), e Dona Eliene, presidente da associação da comunidade. A coordenação pedagógica é da professora Sara Moraes, do IFTO Dianópolis.

Para Laelson Ribeiro de Souza, a iniciativa representa um marco na relação entre território e universidade.

“É um momento histórico para nós, quilombolas, poder compartilhar nossos conhecimentos na universidade e também aprender a partir dessa confluência entre mestres da comunidade e mestres da universidade. Nossa expectativa é que essa formação seja um espaço de diálogo, aprendizagem e fortalecimento coletivo, contribuindo para a nossa resistência e para que nossa cultura e nossos saberes sigam sendo preservados e respeitados.”

Com carga horária de 60 horas, o curso conta com a participação de 25 estudantes, que receberão bolsa-auxílio. A programação contempla práticas territoriais, corporais, agroecológicas e educativas construídas pela comunidade, por meio de vivências, rodas de conversa e momentos de escuta.

Uma das linhas estruturantes da formação dialoga com os ensinamentos do mestre quilombola Nego Bispo, referência na defesa da confluência de saberes e do território como espaço de vida. Como afirmava o mestre: “O território não é apenas chão, é o lugar onde a vida acontece.”

Professores e coordenadores do curso e equipe acadêmica do IFTO. Foto: Divulgação

A coordenadora do curso, professora Sara Moraes — também presidente do NEABI (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas) do IFTO Dianópolis e integrante da equipe que aprovou, em nível nacional, o projeto Saberes de Quilombo — destaca a relevância da iniciativa para a consolidação da educação antirracista.

“A Escola atua como um espaço legítimo de produção, sistematização e difusão de saberes ancestrais, rompendo com a lógica hegemônica. Trata-se de uma iniciativa estratégica para o fortalecimento das identidades, da autonomia comunitária e da justiça social, além de contribuir diretamente para a implementação de políticas educacionais antirracistas. Portanto, também é um projeto político-pedagógico de reparação histórica e de construção de um futuro plural, diverso e enraizado nos saberes do chão”, afirmou.

A iniciativa representa um marco para o movimento quilombola no Tocantins ao consolidar o território como espaço legítimo de produção de conhecimento.

Parceiros do projeto

Instituto Federal do Tocantins (IFTO) – Campus Dianópolis; NEABI – Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas do IFTO; Escola Nacional Nego Bispo; PNEERQ – Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola; Ministério da Educação e Governo Federal

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